O dever de casa ainda vale a pena?


04 de maio de 2026



Um distrito escolar americano aboliu completamente o dever de casa e reacendeu um debate que já dura mais de um século, tornado ainda mais urgente pela inteligência artificial.

No início de 2026, o distrito escolar de LaSalle Parish, na Louisiana, tomou uma decisão incomum: aboliu o dever de casa para todos os seus 2.500 alunos, do primeiro ano do fundamental até o ensino médio. Pais que quiserem receber atividades extras podem pedir, mas elas não serão obrigatórias nem contarão para a nota. A medida não surgiu do nada, mas seguiu uma tendência que educadores e pesquisadores vêm observando há anos.


Dados federais mostram que a quantidade de dever de casa de matemática atribuída a alunos do quarto e do oitavo ano vem caindo consistentemente há mais de uma década. Os motivos variam: professores que questionam a eficácia das tarefas, famílias que apontam o acúmulo de horas de estudo como problema, e pesquisadores que lembram que é difícil medir o real impacto do dever de casa, já que o tempo que um aluno leva para resolver um exercício pode ser completamente diferente do tempo de outro, sem que isso se reflita no desempenho final.


A inteligência artificial complicou ainda mais a equação. Uma pesquisa do Pew Research Center mostrou que mais da metade dos adolescentes americanos já usou chatbots para ajudar nas tarefas escolares, e 1 em cada 10 disse usar assistentes virtuais para fazer toda ou a maior parte do dever de casa. Para muitos professores, isso esvaziou o sentido da tarefa como ferramenta de avaliação: se o aluno entrega, mas quem fez foi a IA, o que a nota representa?


Mas a questão tem outro lado. Tom Loveless, pesquisador e ex-professor que estudou o tema, resume o argumento mais sólido a favor do dever de casa: procedimentos matemáticos exigem prática, e não faz sentido desperdiçar tempo de aula com exercícios repetitivos que o aluno pode fazer em casa. Estudos mostram que alunos com desempenho mais fraco que passaram mais tempo fazendo dever de casa de matemática apresentaram melhora real, inclusive um ano depois.


É um debate sem resposta simples, e é exatamente por isso que vale acompanhar de perto. Afinal, qualquer professor que já corrigiu uma pilha de exercícios repetitivos sabe que quantidade e qualidade nem sempre andam juntas.

Leia a reportagem completa no site da NPR, em inglês, e veja os diferentes pontos de vista sobre o tema.  

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