O rosto de quem fugiu do Vesúvio, reconstruído quase 2.000 anos depois


30 de abril de 2026


Uma vítima da erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., fotografada na área arqueológica de Pompeia, perto de Nápoles, no sul de Itália. Imagem divulgada pelo Ministério da Cultura italiano a 27 de abril de 2026. AP/Ministério da Cultura italiano


Pela primeira vez, arqueólogos utilizaram inteligência artificial para reconstruir digitalmente o rosto de uma vítima da erupção do Vesúvio em 79 d.C., dando rosto humano a uma das tragédias mais célebres da história.

Quando o Monte Vesúvio entrou em erupção no ano 79 d.C., a cidade de Pompeia ficou soterrada em poucas horas. Os restos de milhares de pessoas ficaram preservados sob camadas de cinza e pedra-pomes, congelados no tempo. Quase dois milénios depois, a arqueologia e a inteligência artificial uniram-se para dar rosto a uma dessas histórias.


O Parque Arqueológico de Pompeia, em parceria com a Universidade de Pádua e o Ministério da Cultura italiano, divulgou a primeira reconstrução facial gerada com IA de uma vítima da erupção. O retrato mostra um homem mais velho a tentar fugir pela estrada que conduzia à costa, com um almofariz de terracota sobre a cabeça como escudo improvisado contra as rochas vulcânicas que choviam do céu. Não ia sozinho: junto a ele foram encontrados os restos de outra pessoa. O escritor romano Plínio, o Jovem, já havia descrito moradores a protegerem-se com objectos durante a erupção, e esta descoberta confirma-o. Perto do homem estavam uma lamparina de azeite, um pequeno anel de ferro e dez moedas de bronze, objectos que retratam, com uma precisão reveladora, como era a vida quotidiana na cidade antes de desaparecer.


A reconstrução partiu dos dados do esqueleto encontrado perto da Porta Stabia, uma das entradas da cidade antiga, e foi desenvolvida com técnicas de IA e edição fotográfica capazes de traduzir informação arqueológica numa imagem de aparência realista. O objectivo vai além da tecnologia: dar um rosto humano a estes dados é uma forma de aproximar o público da investigação arqueológica de um modo que esqueletos e números raramente conseguem.


Gabriel Zuchtriegel, director do parque, resumiu bem o que está em causa: o volume de dados arqueológicos acumulados é hoje tão vasto que só com a ajuda da inteligência artificial será possível fazer justiça a este património e, bem utilizada, essa tecnologia pode dar nova vida aos estudos clássicos, tornando o passado mais vivo e acessível a todos.

  Leia a reportagem completa no sítio da NPR, em inglês, e saiba mais sobre a reconstrução.  

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