A IA na educação exige ética, inclusão e governação, afirma a UNESCO


17 de dezembro de 2025


Monkey Business Images, via Canva.


Textos da UNESCO analisam iniciativas, políticas públicas e os desafios do uso da inteligência artificial na educação, com enfoque na equidade, na governação e nos direitos dos alunos.

Três novos textos da UNESCO colocam a inteligência artificial (IA) no centro do debate sobre o futuro da educação. As publicações destacam tanto o potencial transformador da tecnologia como os riscos associados a uma utilização inadequada. A organização defende que a IA deve servir as prioridades educativas e o bem comum, sendo orientada por princípios como os direitos humanos, a equidade, a inclusão e a responsabilidade pública.

Entre os destaques apresentados está o reconhecimento de quatro iniciativas, premiadas na Bélgica, no Brasil, no Egipto e no Reino Unido. Estes projectos distinguiram-se por promover uma educação em IA com um enfoque cívico, ético e acessível, alcançando centenas de milhares de alunos e professores em diferentes contextos. Os exemplos demonstram que é possível integrar a tecnologia de forma contextualizada, alinhada com as realidades locais e socialmente relevante.  

Outro eixo central das publicações é a capacitação de decisores políticos. Durante a Digital Learning Week, foram realizadas oficinas destinadas a dotar responsáveis pela educação das competências necessárias para compreender todas as etapas dos projectos de IA, desde o diagnóstico até à implementação. As sessões abordaram temas como a governação, a qualidade dos dados e a avaliação de impactos, reforçando a ideia de que professores e educadores devem ter uma participação activa no desenvolvimento e adaptação destas tecnologias. Esta abordagem procura evitar a adopção de soluções padronizadas e desligadas dos contextos educativos.  

O relatório AI and education: protecting the rights of learners aprofunda este debate ao enquadrar a educação como um direito humano diretamente ligado ao acesso à conectividade e às tecnologias digitais. O documento evidencia desigualdades persistentes no acesso à internet e a dispositivos, agravadas por factores como o género, a deficiência, a língua, a idade e a localização geográfica. Além disso, alerta para riscos como a exclusão digital, os enviesamentos algorítmicos, fragilidades na protecção de dados, ameaças à diversidade cultural e linguística e a ausência de mecanismos claros de responsabilização.

Para responder a estes desafios, a UNESCO propõe uma transformação digital orientada pelo quadro dos 5C — coordenação, conteúdos, capacidades, conectividade e custos — e reafirma o seu papel de apoio directo a dezenas de países. Este apoio inclui o desenvolvimento de currículos, quadros de competências em IA, orientações para a utilização de IA generativa e a implementação da Recomendação sobre a Ética da Inteligência Artificial. Deste modo, a organização consolida uma agenda global em defesa de uma IA educativa ética, inclusiva e centrada nas pessoas.

Quer compreender melhor as análises, as recomendações e os exemplos apresentados? Consulte os artigos originais da UNESCO (referenciados no texto) e explore o conteúdo completo sobre IA e educação.

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