IA, educação e futuro próximo: caminhos apontados pela UNESCO para 2026


19 de dezembro de 2025


Conheça as principais tendências educativas que irão marcar 2026, com destaque para as orientações da UNESCO sobre o uso ético e pedagógico da inteligência artificial, a formação docente e as políticas públicas orientadas para a inclusão, a equidade e a inovação.

A inteligência artificial (IA) já faz parte do quotidiano de escolas e universidades, tendo passado de uma promessa distante para uma realidade concreta. Ao longo de 2025, a UNESCO publicou e apoiou um conjunto de orientações e quadros de referência destinados a ajudar países, sistemas educativos, decisores políticos e professores a integrar esta tecnologia de forma ética, segura e pedagogicamente fundamentada. À medida que 2026 se aproxima, estas publicações permitem identificar tendências que merecem a atenção de todos os intervenientes no setor da educação.

Orientações globais para a utilização da IA na educação

A UNESCO tem investido de forma significativa na produção de materiais dirigidos, em particular, aos responsáveis pela definição de políticas públicas, procurando clarificar tanto as oportunidades como os riscos associados à utilização da IA em contextos educativos. Um destes documentos dirige-se diretamente aos decisores e apresenta conceitos-chave, capacidades, limitações e estratégias para garantir que a tecnologia contribui para alargar o acesso, a inclusão e a equidade.

Estas orientações sublinham a importância de políticas públicas claras, que definam de forma transparente como e para que fins a IA será utilizada na educação. Segundo a UNESCO, a inovação tecnológica deve avançar em estreita articulação com objetivos pedagógicos bem definidos e com a salvaguarda dos direitos dos alunos.

IA generativa na educação e na investigação

Um dos focos mais recentes das publicações da UNESCO é a inteligência artificial generativa — sistemas capazes de produzir textos, imagens ou respostas a perguntas. O guia global dedicado a este tema apresenta orientações para a ação imediata, para o planeamento de políticas a longo prazo e para o desenvolvimento de capacidades humanas, sempre a partir de uma abordagem centrada nas pessoas e alinhada com os valores educativos.

O documento chama ainda a atenção para uma questão sensível: em muitos países subsistem lacunas regulamentares significativas. Por essa razão, a utilização institucional da IA generativa exige prudência, sobretudo no que diz respeito à proteção de dados, à transparência dos sistemas e à validação pedagógica das ferramentas antes da sua adoção em larga escala.

Competências em IA para professores e alunos

Outro eixo fundamental é o desenvolvimento de quadros de competências em IA concebidos pela UNESCO para orientar a formação de professores e alunos. Estes quadros definem os conhecimentos e as competências necessários para que a tecnologia seja utilizada de forma crítica, ética e informada.

Entre as dimensões centrais incluem-se a compreensão dos fundamentos da IA e das suas aplicações, a capacidade de utilizar estas ferramentas no apoio às práticas pedagógicas, a análise das implicações éticas e a promoção da literacia em IA junto dos alunos. Estes referenciais funcionam como um roteiro para preparar os sistemas educativos para os desafios e oportunidades que se tornarão mais evidentes até 2026.

Inclusão, ética e equidade como princípios estruturantes

As orientações da UNESCO deixam claro que a inclusão, a equidade e a ética não são aspetos secundários, mas sim elementos estruturantes da integração da IA na educação. Os relatórios institucionais salientam que a tecnologia deve contribuir para reduzir desigualdades, e não para as aprofundar, assegurando que os seus benefícios chegam a contextos e realidades diversas.

Parte desta preocupação assenta no reconhecimento de que os sistemas de IA podem reproduzir enviesamentos presentes nos dados com que são treinados. Assim, a abordagem recomendada inclui estratégias para mitigar vieses, proteger a privacidade de alunos e professores e preservar a diversidade cultural e linguística.

A IA como apoio à docência, e não como substituto

Embora a IA possa automatizar tarefas e apoiar processos de aprendizagem personalizada, a UNESCO é clara ao afirmar que a tecnologia não deve substituir o papel humano na educação. Pelo contrário, a IA deve reforçar as capacidades dos professores, fortalecer as práticas pedagógicas e enriquecer as experiências de aprendizagem, mantendo o pensamento crítico, a interação humana e as relações educativas no centro do processo educativo.

Esta perspetiva surge de forma consistente nas publicações que discutem os futuros da educação mediados pela IA, equilibrando permanentemente as oportunidades tecnológicas com as responsabilidades pedagógicas e sociais.

Desenvolvimento profissional docente e maturidade institucional

Uma tendência clara rumo a 2026 é o reforço da formação contínua dos professores e das lideranças escolares em áreas relacionadas com a IA. Tal inclui o desenvolvimento de competências digitais mais avançadas, a reflexão ética sobre a tecnologia e capacidades de análise crítica que permitam uma utilização segura e significativa das ferramentas inteligentes no quotidiano escolar.

Para além da formação individual, as instituições educativas necessitam igualmente de evoluir ao nível organizacional. Isso implica a criação de políticas internas, o estabelecimento de critérios para a avaliação de ferramentas, a definição de processos de governação e a garantia da proteção de dados e da privacidade. Em conjunto, estas práticas tendem a afirmar-se como indicadores-chave de maturidade institucional nos próximos anos.

Para além da tecnologia: uma agenda educativa assente em valores humanos

As orientações da UNESCO sugerem que a principal tendência para 2026 não é simplesmente expandir o uso da IA, mas promover a sua integração cuidadosa, ética e orientada por valores humanos. Isso implica preparar professores e alunos para compreender e utilizar a tecnologia de forma crítica, desenvolver políticas públicas coerentes e fortalecer práticas educativas comprometidas com a inclusão, a equidade, a transparência e a proteção de dados.

Mais do que um debate sobre ferramentas, estas orientações ajudam escolas, sistemas educativos e governos a refletir de forma mais clara e responsável sobre o futuro da educação. Em última análise, o objetivo é assegurar que o progresso tecnológico avança em paralelo com a preservação da dignidade, da autonomia e do desenvolvimento integral de todos os alunos.

Referências

UNESCO. AI and education: guidance for policy-makers. Paris: UNESCO, 2025. Disponível em: https://www.unesco.org/en/articles/ai-and-education-guidance-policy-makers. Acesso em: 15 dez. 2025.

UNESCO. Artificial intelligence in education. Paris: UNESCO, s.d. Disponível em: https://www.unesco.org/en/digital-education/artificial-intelligence. Acesso em: 15 dez. 2025.

UNESCO. Guia para a IA generativa na educação e na pesquisa. Paris: UNESCO, 2024. Disponível em: https://www.unesco.org/pt/articles/guia-para-ia-generativa-na-educacao-e-na-pesquisa. Acesso em: 15 dez. 2025. UNESCO

UNESCO. Use of AI in education: Deciding on the future we want. Paris: UNESCO, 2024. Disponível em: https://www.unesco.org/en/articles/use-ai-education-deciding-future-we-want. Acesso em: 15 dez. 2025.

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